Paranaguá: ouro, corsários holandeses, piratas e os canhões da Ilha do Mel

Tartaruga de Pontal, Ilha do Mel, Holandeses
03Nov
  • By Tartaruga de Pontal
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Reportagem especial | História do litoral do Paraná 

Muito antes dos grandes navios do Porto de Paranaguá, a baía já era cenário de exploração do ouro, disputas coloniais, corsários holandeses, naufrágios e confrontos militares. Documentos históricos revelam acontecimentos que ajudam a explicar a origem de Paranaguá e da Fortaleza da Ilha do Mel.

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Uma história que começou muito antes do turismo

Quem observa hoje a entrada da Baía de Paranaguá, entre Pontal do Sul, a Ilha do Mel e a Ilha das Peças, encontra uma das paisagens mais conhecidas do litoral paranaense.

O movimento de embarcações, a atividade pesqueira, as praias e a travessia para a Ilha do Mel fazem parte do cotidiano da região. Mas essas mesmas águas testemunharam acontecimentos decisivos da história colonial brasileira.

Durante séculos, a baía recebeu navegadores, comerciantes, exploradores de ouro, autoridades portuguesas e embarcações estrangeiras.

Alguns desses visitantes chegaram para negociar. Outros procuravam riquezas. E houve aqueles que apareceram armados, em busca de navios e cargas que poderiam capturar.

Antes de existir a Fortaleza da Ilha do Mel, a Baía de Paranaguá já fazia parte das rotas comerciais e dos conflitos marítimos do Atlântico.

Antes dos portugueses: os primeiros habitantes

A história humana da região é muito anterior à colonização europeia.

Sambaquis encontrados no litoral do Paraná preservam evidências de ocupações humanas antigas. Essas estruturas arqueológicas, formadas ao longo do tempo por diferentes comunidades, contêm conchas, restos alimentares, artefatos e outros vestígios materiais.

Em períodos posteriores, populações indígenas, incluindo grupos associados aos Carijó, habitavam o litoral e conheciam suas ilhas, rios, manguezais e caminhos de navegação.

A pesca, o deslocamento por embarcações e o aproveitamento dos recursos naturais já faziam parte da vida dessas populações.

Os primeiros navegadores europeus

Em meados do século XVI, a presença europeia na região passou a ser registrada em relatos de viagem.

O alemão Hans Staden, que participou de uma expedição espanhola, descreveu acontecimentos relacionados à região de Superagui por volta de 1550. Seu livro foi publicado em 1557.

Portugueses vindos de São Vicente e Cananéia também frequentavam o litoral paranaense, estabelecendo contatos comerciais e participando de expedições de ocupação e aprisionamento de indígenas.

A colonização esteve relacionada tanto ao comércio e à exploração dos recursos naturais quanto à escravização indígena e à disputa pela posse das terras.

1648: Paranaguá se torna oficialmente uma vila

A ocupação colonial da região começou a se desenvolver na Ilha da Cotinga e posteriormente se consolidou junto ao Rio Itiberê.

Por volta de 1640, a chegada de Gabriel de Lara marcou uma etapa importante da organização política e militar do povoado.

Em 29 de julho de 1648, a povoação recebeu oficialmente a condição de vila, conhecida como Nossa Senhora do Rosário de Paranaguá.

A localização tinha importância estratégica: permitia o acesso marítimo, a comunicação com outras povoações costeiras e a ligação com áreas do interior onde havia notícias de ouro.

1648 Fundação oficial da vila de Paranaguá, após décadas de ocupação colonial. 
Rio Itiberê Área onde se consolidou o antigo núcleo urbano e portuário de Paranaguá. 

Naquele período, não existia o Porto Dom Pedro II como o conhecemos atualmente.

O transporte de pessoas e mercadorias dependia de embarcações à vela, pequenos ancoradouros e das condições naturais de navegação da baía.

1653: o mapa do ouro de Paranaguá

Apenas cinco anos depois da fundação oficial da vila, um documento elaborado para a administração portuguesa registrou a geografia da Baía de Paranaguá e dezenas de indicações de exploração mineral.

Mapa histórico da Baía de Paranaguá de 1653, com rios, ilhas e indicações de mineração.
Planta da Baía de Paranaguá, de 1653, atribuída a Pedro de Sousa Pereira. Documento histórico em domínio público. Consultar mapa original .

O documento é atribuído a Pedro de Sousa Pereira, administrador ligado à investigação das minas do sul da América portuguesa.

Datado de 20 de maio de 1653, o mapa apresenta ilhas, rios, entradas da baía, referências à Vila de Paranaguá e aos campos de Curitiba, então chamados de Queretiba.

A planta também registra 21 indicações de locais de mineração, relacionadas sobretudo à procura de ouro de aluvião.

Seu objetivo era econômico e administrativo. A Coroa portuguesa pretendia conhecer melhor as minas, controlar a exploração e organizar a cobrança dos tributos sobre os metais preciosos.

Por que esse mapa é tão importante?

O pesquisador Jefferson de Lima Picanço identificou o documento como um dos mais antigos registros cartográficos brasileiros especificamente voltados à localização de recursos minerais.

Sua pesquisa também esclareceu a autoria do mapa, anteriormente atribuída por alguns historiadores a Eleodoro Ébano Pereira.

Além de registrar a mineração, a planta fornece informações valiosas sobre o conhecimento geográfico e náutico disponível em 1653.

O mistério dos corsários holandeses

A investigação do mapa de 1653 revelou um episódio que liga diretamente a história de Paranaguá aos conflitos marítimos entre portugueses e holandeses.

Segundo um estudo de Jefferson de Lima Picanço, fundamentado em documentação citada pelo historiador Charles Ralph Boxer, o mapa de Pedro de Sousa Pereira, ou uma de suas cópias, foi apreendido por corsários holandeses em junho de 1653.

Naquele momento, os Países Baixos ainda mantinham posições no Nordeste brasileiro, enquanto portugueses e holandeses enfrentavam-se em operações marítimas no Atlântico.

A informação sobre a captura aparece associada a uma correspondência de Recife, datada de 15 de junho de 1653, citada por Boxer.

O documento permite relacionar os corsários holandeses ao ouro de Paranaguá. Mas não prova que suas embarcações tenham entrado na Baía de Paranaguá.

De quem os holandeses capturaram o mapa?

A documentação examinada por Boxer menciona a apreensão, em uma embarcação procedente do Rio de Janeiro, de informações cartográficas sobre a localização de minas.

O nome do navio interceptado e o nome da embarcação holandesa responsável pela captura ainda não foram identificados com segurança nesta investigação.

Também não está comprovado o ponto exato do oceano onde a interceptação aconteceu.

O que está documentado: a apreensão de informações cartográficas relacionadas às minas de Paranaguá por corsários holandeses em 1653. 
O que permanece desconhecido: os nomes das embarcações, seus comandantes e o local exato da captura.

A busca por documentos continua

Entre os registros associados à exploração das minas aparecem cartas de Pedro de Sousa Pereira e depoimentos de navegadores que conheciam as barras e os portos do litoral sul.

Um desses personagens foi Daniel Gonçalves, piloto que forneceu informações sobre a navegação regional em 1653.

Esses documentos oferecem novas possibilidades para pesquisar as rotas marítimas e os navios utilizados naquele período.

1718: um navio pirata naufraga na Ilha da Cotinga

Mais de sessenta anos depois do episódio envolvendo os corsários holandeses, Paranaguá foi cenário de outro acontecimento marítimo extraordinário.

Em 1718, uma embarcação pirata francesa naufragou nas proximidades da Ilha da Cotinga, dentro da Baía de Paranaguá.

O episódio foi registrado na historiografia regional e posteriormente estudado pelo pesquisador e arqueólogo marítimo Geraldo J. S. Hostin.

A perseguição ao navio mercante

Segundo as reconstruções históricas, uma embarcação mercante francesa era perseguida por piratas quando a situação foi agravada por condições meteorológicas adversas.

Durante a perseguição, o navio pirata teria atingido uma formação rochosa submersa e naufragado próximo à Ilha da Cotinga.

A pesquisa de Hostin aponta a possibilidade de a embarcação ter sido a La Louise, associada hipoteticamente ao pirata francês Olivier Levasseur, conhecido como La Buse.

A identificação não deve ser tratada como definitiva, pois a investigação arqueológica e documental ainda envolve questões em aberto.

O tesouro do naufrágio

Relatos históricos mencionam grandes quantidades de ouro e prata que poderiam estar a bordo da embarcação.

Ao longo dos séculos foram registradas tentativas de recuperação de objetos relacionados ao naufrágio.

A existência do episódio histórico é documentada, mas os valores divulgados sobre um possível tesouro precisam ser entendidos como parte desses relatos, não como inventário arqueológico integralmente comprovado.

Importante: o navio pirata de 1718 é associado a uma embarcação francesa. Não há fundamento para identificá-lo como o mesmo navio holandês envolvido no episódio de 1653.

1767–1769: nasce a Fortaleza da Ilha do Mel

Vista da Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres na Ilha do Mel, com muralhas brancas, praia e vegetação.
Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres, Ilha do Mel, Paranaguá. Fotografia: Cyrus Daldin. Licença CC BY-SA 4.0. Fonte e atribuição . Licença .

A presença de embarcações estrangeiras, a necessidade de proteger a vila e as disputas territoriais entre Portugal e Espanha contribuíram para fortalecer a preocupação com a defesa de Paranaguá.

A Baía de Paranaguá continuava vulnerável, apesar de sua importância comercial e estratégica.

Em 1734, antes da construção da fortaleza, foi determinada a instalação de artilharia na região da barra.

Décadas depois, a Coroa portuguesa decidiu erguer uma estrutura militar permanente na Ilha do Mel, junto ao Morro da Baleia.

A construção começou em 15 de janeiro de 1767 e foi concluída em 23 de abril de 1769.

A obra ocorreu durante o governo de D. Luís António de Sousa Botelho Mourão, sob a orientação da administração portuguesa. O acompanhamento dos trabalhos coube a Afonso Botelho de Sampaio e Souza.

A fortaleza recebeu o nome de Nossa Senhora dos Prazeres.

Por que construíram o forte naquele lugar?

A posição permitia vigiar o canal norte de acesso à Baía de Paranaguá, situado entre a Ilha do Mel e a Ilha das Peças.

Os navios que utilizavam essa passagem poderiam ficar ao alcance da artilharia, dependendo de sua rota, distância e condições de navegação.

O objetivo era proteger a entrada da baía e os interesses portugueses na região, não simplesmente impedir o desembarque de pessoas na Ilha do Mel.

A fortaleza possuía muralhas, instalações militares, depósito de pólvora, alojamentos, prisão e capela.

Sua construção contou com pedreiros, carpinteiros e pessoas escravizadas.

Os canhões que defendiam a Baía de Paranaguá

Canhões históricos sobre reparos de madeira na Fortaleza da Ilha do Mel, apontados para o mar.
Peças de artilharia preservadas na Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres. Fotografia: Aivan Gomes. Licença CC BY-SA 4.0. Fonte e atribuição . Licença .

Quando foi concluída, a fortaleza possuía seis peças de artilharia de ferro e bronze.

Esses armamentos utilizavam pólvora negra e projéteis pesados, como balas esféricas de ferro.

Os calibres da época costumavam ser classificados pelo peso da bala, medido em libras.

Dependendo da peça, da carga e das condições de disparo, canhões desse período podiam lançar projéteis a distâncias superiores a um quilômetro.

Entretanto, seu alcance máximo era diferente da distância na qual conseguiam atingir com precisão um navio em movimento.

A eficácia da defesa dependia da localização dos canhões, da experiência dos artilheiros, das correntes marítimas e da rota seguida pelo alvo.

A função da fortaleza não era apenas afundar navios. Era tornar arriscada a passagem de embarcações hostis pela entrada da baía.

Ao longo de sua história, a fortificação foi desarmada e reaparelhada diversas vezes. Por isso, os canhões preservados atualmente não devem ser automaticamente identificados como os mesmos utilizados nos confrontos do século XIX.

1850: os tiros contra o HMS Cormorant

Gravura de 1850 representando o navio britânico HMS Cormorant em confronto com a fortaleza de Paranaguá.
O HMS Cormorant diante da Fortaleza de Paranaguá, em julho de 1850. Gravura publicada no The Illustrated London News, em 28 de setembro de 1850. Domínio público. Consultar documento original .

O episódio militar mais conhecido da Fortaleza da Ilha do Mel aconteceu em 1º de julho de 1850, quando seus canhões dispararam contra um navio de guerra britânico.

O HMS Cormorant havia entrado na Baía de Paranaguá durante uma operação de repressão ao tráfico transatlântico ilegal de africanos escravizados.

O tráfico havia sido proibido pela legislação brasileira em 1831, mas continuava ocorrendo clandestinamente.

O navio britânico apreendeu embarcações brasileiras apontadas como envolvidas nesse comércio, entre elas Sereia, Dona Anna e Campeadora.

Quando o cruzador deixou a baía rebocando embarcações apreendidas, disparos partiram da Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres.

O navio britânico respondeu com sua artilharia.

Durante o confronto, a embarcação inglesa sofreu danos, mas conseguiu sair da zona de fogo da fortaleza.

Um episódio com relação direta à escravidão

Durante décadas, o incidente foi frequentemente apresentado como uma reação brasileira contra a intervenção naval britânica.

Entretanto, a história exige uma análise mais completa.

O confronto também ocorreu em um contexto de defesa de interesses ligados ao tráfico ilegal de pessoas escravizadas.

Paranaguá e outros pontos do litoral brasileiro haviam sido utilizados em operações de desembarque clandestino de africanos escravizados.

A repressão britânica atingia diretamente interesses econômicos vinculados a esse comércio.

O episódio do Cormorant integra, portanto, tanto a história militar da Ilha do Mel quanto a história da escravidão e de sua repressão.

A escravidão só seria legalmente abolida no Brasil em 13 de maio de 1888, com a assinatura da Lei Áurea.

A Fortaleza da Ilha do Mel não foi construída especificamente para proteger navios negreiros. Sua finalidade original era a defesa territorial e marítima portuguesa. O confronto de 1850, porém, envolveu a repressão ao tráfico ilegal.

O porto antigo: quando Paranaguá começou a comerciar?

Pintura de Alfredo Andersen retratando o antigo porto de Paranaguá, com barcos de madeira e construções à margem da água.
Porto de Paranaguá, pintura de Alfredo Andersen (1860–1935), sem data identificada. Reprodução de obra em domínio público. Consultar obra .

A atividade portuária de Paranaguá é anterior à construção da fortaleza e muito anterior à inauguração do porto moderno.

Nos primeiros períodos coloniais, a região mantinha ligações marítimas com São Vicente, Santos, Cananéia e outras povoações da costa.

O primeiro núcleo de atracação esteve associado à Ilha da Cotinga. Posteriormente, o movimento comercial se consolidou nas margens do Rio Itiberê, próximo à antiga Rua da Praia.

O que era transportado?

A economia colonial movimentava produtos como farinha de mandioca, madeira, pescados e outros gêneros de abastecimento.

Em sentido contrário, chegavam ferramentas, tecidos, azeite, bebidas e mercadorias importadas.

Pequenas embarcações realizavam viagens de cabotagem, conectando Paranaguá a diferentes portos brasileiros.

O comércio também envolvia circulação de pessoas, incluindo populações submetidas à escravização, além de militares, autoridades, trabalhadores e comerciantes.

A erva-mate transforma a economia

Durante o século XIX, a erva-mate ganhou importância crescente na economia regional.

Paranaguá ampliou suas relações comerciais com destinos do Cone Sul, incluindo Buenos Aires e Montevidéu.

Com o aumento do movimento e a chegada de embarcações maiores, as limitações do antigo porto no Rio Itiberê tornaram-se cada vez mais evidentes.

O assoreamento, as exigências de profundidade e o crescimento das cargas estimularam a mudança das instalações portuárias.

1885: a ferrovia liga o litoral ao interior

A inauguração da ligação ferroviária entre Paranaguá e Curitiba, em 1885, representou um marco para a circulação de mercadorias.

A ferrovia facilitou o escoamento de produtos do interior e fortaleceu a posição estratégica de Paranaguá.

1935: nasce o porto moderno

Em 17 de março de 1935, foi inaugurado o novo Porto de Paranaguá, conhecido como Porto Dom Pedro II.

Sua estrutura inicial possuía aproximadamente 400 metros de cais, dois armazéns e cinco metros de calado.

Era o início de uma nova fase da atividade marítima regional.

O porto que hoje recebe grandes navios comerciais nasceu de uma história muito mais antiga, iniciada com ancoradouros naturais, pequenas embarcações e relações comerciais estabelecidas ao longo de séculos.

Cronologia: mais de quatro séculos de história

Período

Acontecimento

Pré-colonial

Ocupação indígena e formação de sítios arqueológicos na região da baía.

c. 1550

Registros de navegação europeia na região de Superagui.

1640

Período da chegada de Gabriel de Lara a Paranaguá.

1648

Fundação oficial da Vila de Paranaguá, em 29 de julho.

1653

Elaboração do mapa das minas. Informações cartográficas são apreendidas por corsários holandeses.

1718

Naufrágio de embarcação pirata francesa próximo à Ilha da Cotinga.

1734

Instalação de artilharia para defesa da barra.

1767–1769

Construção da Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres.

1850

Combate entre a fortaleza e o HMS Cormorant.

1885

Inauguração da ferrovia Paranaguá–Curitiba.

1935

Inauguração do Porto Dom Pedro II, em 17 de março.

A história que permanece nas águas da baía

Hoje, milhares de visitantes passam por Pontal do Sul e pela Ilha do Mel sem imaginar quantos acontecimentos históricos ocorreram na região.

A Baía de Paranaguá foi território indígena, rota de navegação, área de exploração mineral, entreposto comercial e cenário de conflitos marítimos.

Corsários holandeses interceptaram informações sobre suas minas. Um navio pirata francês naufragou próximo à Ilha da Cotinga. A Coroa portuguesa ergueu uma fortaleza para controlar a entrada da baía.

Em 1850, os canhões da Ilha do Mel participaram de um confronto relacionado à repressão do tráfico ilegal de pessoas escravizadas.

Mais tarde, os antigos ancoradouros deram lugar às instalações do Porto Dom Pedro II.

Conhecer essa trajetória é compreender que o litoral do Paraná não foi apenas cenário de navegação. Foi parte ativa da construção histórica, econômica e territorial do Brasil.

E algumas perguntas continuam sem resposta — como o nome do navio holandês que, em 1653, transportou para a história europeia informações sobre o ouro de Paranaguá.

Fontes históricas e referências

Esta reportagem reúne documentos, estudos acadêmicos, registros de órgãos de patrimônio histórico e pesquisas sobre arqueologia marítima.

  1. Jefferson de Lima Picanço. A pesquisa mineral no século XVII: o mapa da Baía de Paranaguá, de Pedro de Souza Pereira (1653). Consultar estudo .
  2. Picanço e colaboradores. A cartografia primitiva da Baía de Paranaguá (séculos XVI–XVII). Revista Brasileira de Cartografia. Consultar publicação .
  3. Geraldo J. S. Hostin. The Pirate of Cotinga Island (1718): The History and Archaeology of a Mysterious Shipwreck in the South of Brazil. Maritime Archaeological and Historical Society, 2021. Consultar artigo .
  4. Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá. O navio pirata naufragado na Ilha da Cotinga (1718). Consultar pesquisa .
  5. Patrimônio Cultural do Paraná. Fortaleza Nossa Senhora dos Prazeres, Ilha do Mel, Paranaguá. Consultar registro oficial .
  6. Portos do Paraná. Histórico do Porto de Paranaguá e sua inauguração em 1935. Consultar histórico .
  7. Wikimedia Commons. Planta da Baía de Paranaguá, de 1653, em domínio público. Consultar documento .
  8. The Illustrated London News. Gravura do combate do HMS Cormorant em Paranaguá, publicada em 28 de setembro de 1850. Consultar gravura .
Nota editorial: o episódio dos corsários holandeses está documentado por estudos históricos, mas a identificação de seus navios e o local exato da captura permanecem em investigação. A associação do naufrágio de 1718 à embarcação La Louise também deve ser entendida como hipótese de identificação arqueológica.